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16 fevereiro 2026

DA "MUNDIAL" PARA A "VOLTA AO MUNDO"

Com o fecho da revista “Mundial”, obviamente que todos ficámos preocupados e a fazer contas à vida. No entanto, perante todos os elementos da redacção, o administrador Paulo Ferreira deixou-nos uma mensagem de relativa tranquilidade:
- Não quero deixar ninguém fora da editora, portanto vou chamar-vos um a um para decidir o melhor para todos nós.

À vez, parecia que caminhávamos para o cadafalso. O fotógrafo Nuno Correia enveredou pela via free-lance, embora com algumas ligações a projectos da editora, e o Gonçalo Pereira passou a fazer parte da National Geographic Magazine-Portugal, outra das revistas garantidas pelo grupo.
Até que chegou a minha vez. Entrei no gabinete bastante expectante e sem saber bem o que me esperava, por isso deixei a iniciativa para o Paulo Ferreira:
- Bom, como vos disse, não quero deixar ninguém apeado, e tu muito menos. Portanto, diz-me uma coisa: entre as revistas da editora, qual aquela em que achas que te encaixarias melhor?
As opções seriam a “Viver com Saúde”, a “National Geographic” – opção inválida porque o Gonçalo já tinha ocupado o lugar – e o “Mundo do CD-Rom”. Ora nenhuma destas conjecturas me agradava: saúde nunca foi o meu forte e ficava com sintomas de desmaio à mínima gota de sangue e, por outro lado, estava a léguas de ser um perito em informática. A minha resposta saiu de rajada:
- Sem dívida a “Volta ao Mundo”.
Vi o Paulo Ferreira pensativo e com um sorriso enigmático.
- A Volta ao Mundo?
Achei que era a ocasião certa para o convencer:
- Paulo, eu sempre gostei de viagens, aliás, enquanto estava na “Mundial, passava os meus dias de férias a viajar de carro pela Europa…
E joguei a carta de trunfo:
- Por acaso, antes de entrar para a “Mundial”, comprava religiosamente a “Volta ao Mundo todos os meses. Sempre gostei da temática das viagens e, modéstia à parte, tenho muito bens conhecimentos da matéria.
Fiquei ansioso pelo veredicto, até que o Paulo comentou:
- Mas tu vens do desporto, até acho que a tua carreira sempre foi ligada ao meio desportivo…
A resposta saiu-me de supetão:
- Mas o André Pipa e o Paulo Gama também, um veio de “A Bola” e o outro do “Record”, portanto…
- Sim, isso é verdade… Mas, se queres que te diga, estava a pensar integrar uma jornalista, para dar um toque mais feminino à revista…
A minha réplica surgiu da imaginação do momento:
- Que não seja por isso, posso vir de saia-travada e saltos-altos!
O Paulo, aqui, não sorriu, antes desatou às gargalhadas.
- Então é a “Volta ao Mundo”?
- É!
- Ok, então eu vou apresentar-te à equipa.
- Obviamente já os conheço, mas vamos lá.


Saímos juntos do gabinete e fomos até ao espaço da redacção da ”VM”.  A equipa era formada pelo director André Pipa, que já conhecia, embora mal, dos tempos do jornal “Sporting”, pelo editor  Paulo Gama, pelos fotógrafos Miguel Valle de Figueiredo e Luís Filipe Catarino, os designers Ana Revez e Pedro Antunes, os infógrafos Luís Taklim, Leonel Pinto e Mário Carvalho, transversais a outra revistas, além da secretária Helena Abreu.





O Paulo pediu um minuto de atenção:
- Meus caros, a partir de agora o Paulo Rolão vai fazer parte da “Volta ao Mundo”.  Mas faço questão que ele mantenha o cargo de editor, como já era na “Mundial”.
Quando o Paulo Ferreira saiu, o Paulo Gama disse-me qual era a minha mesa de secretária, precisamente em frente à dele, e fiz questão de lhe dizer:
- Paulo, eu sei que tu és o editor, mas fui apanhado de surpresa quando ele disse que mantinha o mesmo cargo, nada disto tinha sido abordado…
O Gama, com a fleuma habitual, tranquilizou-me:
- Podes ficar descansado, não há problema, dividimos a meias e passamos a ser os dois a editar.
E pronto, foi desta forma que entrei na “Volta ao Mundo” – e um novo mundo por descobrir.

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