Foram apenas duas as vezes em que fui convidado para reportar um evento, do qual pouco conhecia, espaçado em dois anos consecutivos, em não mais do que dois ou três dias em cada um deles, tendo como palco Viena e Londres.
Na altura, a Puma,
uma marca desportiva alemã, tentava implementar-se em Portugal, até porque
muitíssimas poucas equipas utilizavam o logo do felino nos seus equipamentos,
pelo menos os ditos três “grandes” – a adidas era predominante.
Abra-se um parêntese para contar a história de dois irmãos alemães, Adol (ou Adi) e Rudolf Dassler, que fundaram um inovador método de fabricar calçado desportivo. Adi era o sapateiro e Rudolf era o homem dos negócio e distribuição. A questão era que os dois tinham visões diferentes do produto, ao ponto de – eles que eram até então inseparáveis – se terem tornado inimigos. Adi continuou a fabricar as sapatilhas, fundado a “adidas” (junção do nome próprio com as primeiras três letras do apelido) e Rudolf decidiu criar uma marca diferente, a “Puma”. Certo é que continuaram de costas voltadas, ao ponto de, após as suas mortes, as campas terem ficado o mais afastadas possível uma da outra no cemitério local.
Retomemos o fio à
meada: o futebol de rua, ou Street Soccer, era um desporto já com forte
implementação na Europa, chegando a haver, inclusive, competições devidamente
organizadas. Embora Portugal estivesse um pouco à margem, decidiu-se fazer um
campeonato à pressa para ter uma equipa representante – a vencedora iria estar
em Viena, local do torneio internacional.
Muitos poderão
questionar o que é, afinal, o futebol de rua. Todos os miúdos e graúdos jogam à
bola na rua por Portugal inteiro, em vilas, aldeias e cidades, mas o Street
Soccer é diferente e tem as suas próprias regras: a quadra é pequena, as
tabelas e as balizas são insufláveis e os guarda-redes não podem sair da área.
Quadra do futebol de rua
Os responsáveis
pela Puma em Portugal endereçaram um convite para que um jornalista da
“Mundial” acompanhasse o evento, e tocou-me a mim essa tarefa.
Sinceramente,
pouco retenho na memória dos dois dias passados na capital austríaca. Recordo o
hotel mal-amanhado em que fiquei instalado num subúrbio da cidade, alguns
jogos, nos quais os portugueses ainda estava a tentar perceber as regras, e num
dos intervalos entre as partidas, ter dado uma volta ao quarteirão para ter
minimamente um vislumbre de Viena. Estive numa praça monumental, da nunca
retive o nome, e apercebi-me de que a cidade ostentava um certo garbo. E foi
isto, tão simplesmente, só isto.
Além de ter
voltado para Portugal com algumas ofertas da Puma: um saco de viagem, um
impermeável, um equipamento de futebol e uma Sweat-shirt.
No ano seguinte,
recebeu-se novo convite e, como já tinha tido a experiência de Viena, foi com
naturalidade que voltei a acompanhar o Street Soccer, desta vez em Londres.
Os jogos
decorreram na Wembley Arena, uma espécie de pavilhão por baixo do mítico
estádio, mas infelizmente não tive a oportunidade de aceder às suas bancadas. A
prestação da equipa portuguesa foi sofrível, mas um dos jogos valeu pela
presença de umas garbosas – e não só –cheerleaders que abrilhantaram o
torneio.
Para já, adiante-se que usufrui mais da capital britânica comparativamente à capital austríaca, não tanto por ter estado mais um dia, mas sim por ter absorvido algo mais substancial.
Um dos pontos altos
durante a visita foi ter ido ao mercado de Notting Hill, um dos bairros mais
charmosos de Londres – à parte o Hugh Grant e a Julia Roberts. O mercado é uma roda-viva de visitantes e
curiosos em busca de todo um mundo vintage em preço de saldo:
antiguidades, discos de vinil, vestuário, placas de matrícula e de nomes de
ruas, e até frutas, verduras e especiarias.
Mercado de Notting Hill, Portobello Road
Em dias de sol é
uma alegria, não só pelo corrupio de gentes de todo o mundo, mas também pelas
fachadas coloridas da Portobello Road. Tive pena de não ter ido a Camden, o
outro mercado carismático de Londres. Talvez numa próxima, quem sabe.
Depois de Notting
Hill, um dos representantes da Puma disse-me que tinha bilhetes para um jogo de
futebol e se eu queria ir. Obviamente, não queria perder a oportunidade de assistir
ao vivo a um jogo da Championship (a segunda divisão inglesa) entre o
AFC Wimbledon e o Derby County FC. Quando dei por mim, percebi que o meu
bilhete era entre os hooligans locais, mas adorei ter estado no Plough
Lane a ver um jogo acérrimo tipicamente britânico e ainda ter tido a sorte de
ver 6 golos – 3-3.
Cena do quotidiano londrino: autocarros, táxis e metropolitano
A última noite, já
com o torneio encerrado, consistiu num jantar com todos os representantes da
Puma no “Planet Hollywood”. Nunca consegui resistir a umas generosas ribs
com aquele fantástico molho barbecue – foi, de longe. a mais saborosa
despedida de Londres.
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