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21 janeiro 2026

Futebol de rua entre Viena e Londres

Foram apenas duas as vezes em que fui convidado para reportar um evento, do qual pouco conhecia, espaçado em dois anos consecutivos, em não mais do que dois ou três dias em cada um deles, tendo como palco Viena e Londres.

Na altura, a Puma, uma marca desportiva alemã, tentava implementar-se em Portugal, até porque muitíssimas poucas equipas utilizavam o logo do felino nos seus equipamentos, pelo menos os ditos três “grandes” – a adidas era predominante.

Abra-se um parêntese para contar a história de dois irmãos alemães, Adol (ou Adi) e Rudolf Dassler, que fundaram um inovador método de fabricar calçado desportivo. Adi era o sapateiro e Rudolf era o homem dos negócio e distribuição. A questão era que os dois tinham visões diferentes do produto, ao ponto de – eles que eram até então inseparáveis – se terem tornado inimigos. Adi continuou a fabricar as sapatilhas, fundado a “adidas” (junção do nome próprio com as primeiras três letras do apelido) e Rudolf decidiu criar uma marca diferente, a “Puma”. Certo é que continuaram de costas voltadas, ao ponto de, após as suas mortes, as campas terem ficado o mais afastadas possível uma da outra no cemitério local.

Retomemos o fio à meada: o futebol de rua, ou Street Soccer, era um desporto já com forte implementação na Europa, chegando a haver, inclusive, competições devidamente organizadas. Embora Portugal estivesse um pouco à margem, decidiu-se fazer um campeonato à pressa para ter uma equipa representante – a vencedora iria estar em Viena, local do torneio internacional.

Muitos poderão questionar o que é, afinal, o futebol de rua. Todos os miúdos e graúdos jogam à bola na rua por Portugal inteiro, em vilas, aldeias e cidades, mas o Street Soccer é diferente e tem as suas próprias regras: a quadra é pequena, as tabelas e as balizas são insufláveis e os guarda-redes não podem sair da área.

Quadra do futebol de rua

Os responsáveis pela Puma em Portugal endereçaram um convite para que um jornalista da “Mundial” acompanhasse o evento, e tocou-me a mim essa tarefa.

Sinceramente, pouco retenho na memória dos dois dias passados na capital austríaca. Recordo o hotel mal-amanhado em que fiquei instalado num subúrbio da cidade, alguns jogos, nos quais os portugueses ainda estava a tentar perceber as regras, e num dos intervalos entre as partidas, ter dado uma volta ao quarteirão para ter minimamente um vislumbre de Viena. Estive numa praça monumental, da nunca retive o nome, e apercebi-me de que a cidade ostentava um certo garbo. E foi isto, tão simplesmente, só isto.

Além de ter voltado para Portugal com algumas ofertas da Puma: um saco de viagem, um impermeável, um equipamento de futebol e uma Sweat-shirt.

 

Algures em Viena

No ano seguinte, recebeu-se novo convite e, como já tinha tido a experiência de Viena, foi com naturalidade que voltei a acompanhar o Street Soccer, desta vez em Londres.

Os jogos decorreram na Wembley Arena, uma espécie de pavilhão por baixo do mítico estádio, mas infelizmente não tive a oportunidade de aceder às suas bancadas. A prestação da equipa portuguesa foi sofrível, mas um dos jogos valeu pela presença de umas garbosas – e não só –cheerleaders que abrilhantaram o torneio.


Para já, adiante-se que usufrui mais da capital britânica comparativamente à capital austríaca, não tanto por ter estado mais um dia, mas sim por ter absorvido algo mais substancial.

Um dos pontos altos durante a visita foi ter ido ao mercado de Notting Hill, um dos bairros mais charmosos de Londres – à parte o Hugh Grant e a Julia Roberts.  O mercado é uma roda-viva de visitantes e curiosos em busca de todo um mundo vintage em preço de saldo: antiguidades, discos de vinil, vestuário, placas de matrícula e de nomes de ruas, e até frutas, verduras e especiarias.

Mercado de Notting Hill, Portobello Road


Em dias de sol é uma alegria, não só pelo corrupio de gentes de todo o mundo, mas também pelas fachadas coloridas da Portobello Road. Tive pena de não ter ido a Camden, o outro mercado carismático de Londres. Talvez numa próxima, quem sabe.

Depois de Notting Hill, um dos representantes da Puma disse-me que tinha bilhetes para um jogo de futebol e se eu queria ir. Obviamente, não queria perder a oportunidade de assistir ao vivo a um jogo da Championship (a segunda divisão inglesa) entre o AFC Wimbledon e o Derby County FC. Quando dei por mim, percebi que o meu bilhete era entre os hooligans locais, mas adorei ter estado no Plough Lane a ver um jogo acérrimo tipicamente britânico e ainda ter tido a sorte de ver 6 golos – 3-3.

Cena do quotidiano londrino: autocarros, táxis e metropolitano

A última noite, já com o torneio encerrado, consistiu num jantar com todos os representantes da Puma no “Planet Hollywood”. Nunca consegui resistir a umas generosas ribs com aquele fantástico molho barbecue – foi, de longe. a mais saborosa despedida de Londres.

 

 

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